Era uma vez um ser tolo...
Não sou mais que um ser tolo,
Nada fui se não um boneco articulado nas mãos de outrém.
Nada fiz a não ser contar as desgraças da minha mísera vida.
Endividando a minha alma com confusões e angústias
Por o ser, e não me ser como sou.
Por ser fraca e débil.
Parva mesmo.
Não serei o ser tolo sem passar pela tolice de outros.
Porque o primeiro a saber sê-lo,
Sabiamente admirado por gentes,
O tal primeiro merecidamente tem um lugar no pódio da esperteza.
Porque afinal,
Mesmo parva,
Sem saber corrigir os erros,
Sem querer voltar atrás.
Poderei um dia realizar e contemplar toda a minha pobre inteligência ao compará-la com uma de um povo, de uma sociedade que por não saber que o é
São brutalmente animais estúpidos e irracionais.
Assim
Marioneta que sou.
Vou-me construíndo à beira dos que me moldam
E talvez possa,
Até,
Um dia,
Ser alma e corpo de alguém,
Que ao se aperceber da minha grande tolice
Confronte também a sua
Escapando-se,
Escafedendo-se alegremente dessas ideias erradas.
Um ser enrolado e tolo!

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