conheço o corpo que gera o seu próprio fogo
enquanto a seiva da árvore prepara a floração
e o derradeiro amadurecimento dos frutos
a milenar ferrugem da noite
feriu-lhe a pálpebra cansada pela visão
e nos esmagados ombros ainda carrega o desejo
doutro corpo esquecido vagamente lembrado
o espelho fendeu-lhe o sorriso
por uma linha aberta na pele escorre lívida
rente aos lábios silenciosos
a precária claridade de orvalho
da humidade antiga do eremitério ergue-se
a sageza e a sabedoria que foi abandonando
à laboriosa travessia da vida
à lentíssima decifração do medo e dos sinais
Al Berto

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**:)