Al Berto



conheço o corpo que gera o seu próprio fogo
enquanto a seiva da árvore prepara a floração
e o derradeiro amadurecimento dos frutos

a milenar ferrugem da noite
feriu-lhe a pálpebra cansada pela visão
e nos esmagados ombros ainda carrega o desejo
doutro corpo esquecido vagamente lembrado

o espelho fendeu-lhe o sorriso
por uma linha aberta na pele escorre lívida
rente aos lábios silenciosos
a precária claridade de orvalho

da humidade antiga do eremitério ergue-se
a sageza e a sabedoria que foi abandonando
à laboriosa travessia da vida
à lentíssima decifração do medo e dos sinais


Al Berto

Comentários

Margarida disse…
Lindo poema... A precaridade do tempo conjugada com a beleza de cada momento...

**:)