"O valor das coisas"

A genuidade e os momentos "únicos" parece que hoje em dia acabaram.... Tudo pode ser "gravado" nos telemóveis, enquanto que na cabeça de cada indivíduo tudo se "varre" com a maior das facilidades.

"O valor das coisas" foi perdido.

As pessoas tornaram-se menos comunicativas, mais artificiais e mais viradas para si mesmo. Falta de tempo, ritmos de vida alucinantes, falta de sorrir, falta de brilhar, mesmo falta de respirar bem fundo e sentir-se vivo (neuro e psicopatologias..) .. Ou apenas falta de vontade de ser pessoa, ser único e insubstituível? Sim... Porque a maioria das gentes que aí andam são perfeitamente substituíveis, logo não são pessoas são gente.

Que é feito do ser pessoa?? Não há pessoas! Poucos restam dos que sabem ser pessoas, até porque custa querer ser pessoa, querer ser genuíno! Isso custa e faz sofrer.

Não se pode ser. Só se pode sobreviver numa existência reprimida? Ou tentar uma abstracção total, porque esta sociedade actual é artificial e feia.

Perderam-se todos os sentimentos puros e verdadeiros.
Perdeu-se o amor.
O mundo é mal-amado porque ele próprio não se consegue amar.
É feio pois ninguém outrora o ensinara a notar-se bonito.
Actualmente feio mas desenvolvido, forte mas vulnerável. Desequilibrado mas sem culpa própria. Vivemos num pseudomundo onde tudo já se sabe, mas onde se descultiva a aprendizagem do que é mais essencial. É um mundo de gentes neuróticas, materialistas, mas o pior é que não sabem sorrir, amar nem compreender.

E o gosto de aprender essa essência do que é ser pessoa?? Porque afinal ser pessoa é um privilégio, é não ser animal irracional. É poder cuidar, tratar e amar. É poder não só pensar (sim, porque a inteligência, mal por mal, ainda se preza hoje em dia), mas também integrar num mundo social, poder ter um nicho de conforto psicológico, confiar e fazer confiar. Poder mostrar o teu "eu" com toda a liberdade.

"O valor das coisas" é agora reduzido ao absurdo.

Comentários

kabreira disse…
deixou-me de viver para sobreviver; deixou-se de amar para gostar... onde vamos parar?

gostei muito do teu texto