Absolutamente estúpido, confuso e sei lá mais o quê. Num dia em que nada parece estar certo, em que todo o corpo me dói, em que sinto a alma pesar e uma vontade de adormecer, chego aos limites da confusão. Da raiva e do ódio, do azar e do desconexo! Agora? Amanhã? Daqui a um mês? Sim um dia é muito. Sim um dia é pouco! Enraivecida com especulações que me afectam, palavras que embora queira desprezar me fazem pensar, pensar, pensar e retornar a pensar. E penso: o pior. Penso que nada existe, penso no erro. Penso nos caminhos que se encontram. Ai farta de pensar! Dai-me descanso que já não aguento a minha cabeça a 100 mil à hora. Já não aguento o desprezar, já não aguento a falta. A falta do que sonhei, a falta de realizar, porque nada é como eu imaginei. Planos! Para quê? Para quem, com quem? Com nada. Esquecer e viver. Ou morrer se puder. Se puder morro já, para quê confundir-me, iludir-me? Ou acreditar, acreditar que é verdade. Mas não. Eu sou uma pessoa naturalmente céptica. Para quê dogmatizar a minha vida. Eu posso ser mais que um dogma, mais que uma história, mais que um romance incompleto. Um barco à deriva, só e esquecida. Porquê? Esqueço-me do futuro, nem vivo o presente e o passado... Bem esse passou e não interessa. O destino, cruel, amargo, porque o bom me traz sempre o terrível gosto de que se passou não volta mais. O que se vive de intenso depois se paga pelo pior, pelo drástico, pela dor. O amor paga-se com a morte e se há alguém que deseja de uma vez por todas morrer, sou eu. Porquê e para quê se queimei o meu coração e o dissequei, escondi as peças dele. Para que é que as tenho andado a procurar? Para quem e porquê? Deixo-as escondidas, perdidas, as veias e o sangue derramado não podem ter retorno. Não quero mais ter que sofrer. Amar para sofrer, amar para morrer. Tragam-me de volta o egossexualismo. Quero o meu eu de volta! Triste fado de me ver infeliz! Submissa aos meus sins, submissa à paixão. Que raiva, ainda pensar em amar! Que cólera me invade e que angústia! Que nó me põe na garganta quando me falta um conforto! Uma palavra! Uma explicação! Impaciente, perturbada! Insegura! A insegurança inexplicável, inquestionável e inexorável. Onde está o amor, onde está a paixão? Sabe bem? É só isso! Eu quero morrer e matar. Quero ficar sozinha e arder em dor. Sou isto e sou aquilo. Bem sei que sou labiríntica, sou exigente? Sim exijo que me amem e me toquem, que não me deixem para o lado. Se me querem amar então amem-me com todas as forças e consumam-se. Se não for para isso esqueçam-me! Eu amo, vivo e consumo-me com a paixão. O amor é um melodrama! A paixão é uma doença que me consome o espírito e me tira todas as forças. Se não vejo correspondido morro e esqueço. Mas se me confundo, o meu corpo degenera, o meu cérebro não pára e explode, eu definho em transtorno. Humilhação, perturbação e desordem comandam o meu ser. De repente páro. Será especulação da minha cabeça? O que estão os outros a querer dizer? O que é afinal a verdade e a mentira? Estarão estes dois conceitos trocados na minha vida? Estarei eu num sonho que acaba brevemente? Só sei que não tenho forças para acreditar. Os factos, os factos faltam-me. E a solidez, a agradável solidez quer me fugir por entre os dedos. Agarrem-me que eu vou cair.

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