Pedaços de lembranças, Talvez memórias
Um dia em carne, Que um dia em cinzas.
Lembrar-me eu do céu azul, Penetrando num cinzento profundo
Onde me apaguei, E acendi tantas vezes.
Terras sonâmbulas, Amargas e por vezes tão insensatas
Como esta fugaz vinda à terra, Tão linda e cruel.
Objecto de contorno sobre a água, O nascimento,
O renascer das cinzas, Eternamente infinito,
Cíclico e grosseiro. Sempre um enlouquecer da alma.
Sem medo choro, Sozinha corro o mundo
Das minhas almas, Inundadas num deslumbramento de paixão;
Outrora em angústia, vontade de morrer.
Desejo infinito de não ser, Por não o ser em plenitude.
Não me sou como sou, Nem como hei-de ser, Nem como já fui.
Apenas um pedaço que se sente e se constrói
De amor, paixões, sofrimentos e desesperos.
Momentos efémeros de alguma felicidade
Que tem de tão intensa, Como de leve que passa
Como uma brisa, Ou como um papel que nos foge ao vento
Fazendo-nos reflectir, Desesperar…
É nascer nas emoções, Crescer com uma pessoa só.
Que és tu, Por um dia, Quem sabe um dia,
Na perfeição uma eternidade,
Sê-lo como um todo, E então livre na tua paz.
in Entre o Sono e o Sonho - Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea - Vol. X
Um dia em carne, Que um dia em cinzas.
Lembrar-me eu do céu azul, Penetrando num cinzento profundo
Onde me apaguei, E acendi tantas vezes.
Terras sonâmbulas, Amargas e por vezes tão insensatas
Como esta fugaz vinda à terra, Tão linda e cruel.
Objecto de contorno sobre a água, O nascimento,
O renascer das cinzas, Eternamente infinito,
Cíclico e grosseiro. Sempre um enlouquecer da alma.
Sem medo choro, Sozinha corro o mundo
Das minhas almas, Inundadas num deslumbramento de paixão;
Outrora em angústia, vontade de morrer.
Desejo infinito de não ser, Por não o ser em plenitude.
Não me sou como sou, Nem como hei-de ser, Nem como já fui.
Apenas um pedaço que se sente e se constrói
De amor, paixões, sofrimentos e desesperos.
Momentos efémeros de alguma felicidade
Que tem de tão intensa, Como de leve que passa
Como uma brisa, Ou como um papel que nos foge ao vento
Fazendo-nos reflectir, Desesperar…
É nascer nas emoções, Crescer com uma pessoa só.
Que és tu, Por um dia, Quem sabe um dia,
Na perfeição uma eternidade,
Sê-lo como um todo, E então livre na tua paz.
in Entre o Sono e o Sonho - Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea - Vol. X
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